Trinta e duas empresas retiram transgênicos das prateleiras na China

Notícia - 17 - jul - 2003
Política não-transgênica ganha força no maior mercado mundial de alimentos

Hoje 32 indústrias de alimentos que operam na China anunciaram oficialmente seu compromisso de não vender produtos geneticamente modificados no país. Maior mercado mundial de alimentos, esta é a primeira vez que a China assiste a tal comprometimento público por parte de empresas de artigos alimentícios.

Entre as companhias que declararam a eliminação de ingredientes geneticamente modificados de sua linha de produção estão as multinacionais Wyeth, Mead Johson, Wrigley e Lipton, que já possuem uma política não-transgênica em vários outros países. Também se comprometeram grandes produtores de soja chineses que atuam no sul do país, incluindo a maior marca de leite de soja do mercado da China, a indústria Vitasoy.

O compromisso das 32 empresas (proprietárias de 53 marcas), que enviaram uma declaração formal ao Greenpeace anunciando o fato, contrastam com a atuação da Nestlé. No ano passado, testes realizados na China, assim como no Brasil, indicaram a presença de OGMs (organismos geneticamente modificados) em produtos da multinacional. A empresa já está conhecida por seus duplos padrões, pois em países desenvolvidos se compromete a não utilizar transgênicos.

As companhias locais que hoje assumem o compromisso se beneficiam de uma medida adotada pelo governo chinês em março, a qual determina que a maior província produtora de soja na China, localizada no nordeste do país, seja uma área livre de transgênicos. A China tem a quarta maior produção de soja do mundo, atrás de Brasil, EUA e Argentina.

O governo chinês têm aumentado seus esforços na implementação da legislação de rotulagem, realizando inspeções em algumas indústrias. Autoridades afirmam que os produtores de transgênicos não rotulados serão penalizados.

"A indústria de alimentos na China está se juntando ao grande número de companhias que mundialmente estão se comprometendo com os padrões não-transgênicos. No Brasil, já são 26 empresas que garantem alimentos livres de OGMs, entre elas a Unilever e o Carrefour. Os consumidores chineses não são diferentes dos brasileiros: eles não querem comida transgênica." afirmou Tatiana de Carvalho, coordenadora da campanha de consumidores do Greenpeace Brasil.

Segundo uma pesquisa da Universidade Zhongshan, realizada na China em dezembro de 2002, 87% dos entrevistados querem que o rótulo dos produtos alimentícios indique quando eles contiverem OGMs. Além disso, 56% das pessoas que participaram do levantamento disseram que, se tivessem a chance, escolheriam alimentos não transgênicos, ao invés dos transgênicos.

No Brasil, uma pesquisa realizada pelo Ibope também em dezembro do ano passado, apontou que 92% dos entrevistados querem a rotulagem de produtos contendo transgênicos, e que 71% deles preferem consumir alimentos não transgênicos. (1)

"O governo chinês está levando o direito de escolha dos consumidores a sério. Os produtores que utilizam OGMs devem optar por rotular seus artigos como geneticamente modificados, e assim sofrer a rejeição dos compradores, ou arriscar-se violando a legislação vigente", declarou Sze Pang-cheung, do Greenpeace China.

(1) Confira a íntegra da pesquisa do Ibope de dezembro de 2002.