Alemanha anuncia fundo para proteger as florestas

Notícia - 27 - mai - 2008
Serão 500 milhões de euros nos próximos quatro anos para financiar a conservação da biodiversidade. Anuncio foi feito pela chanceler alemã Angela Merkel durante abertura da sessão ministerial da Conferência da ONU sobre biodiversidade em Bonn.

Ativistas do Greenpeace ateiam fogo em uma tora de árvore amazônica no rio Reno, em Bonn. O Greenpeace quer que o governo alemão dê 2 bilhões de euros por ano para proteger as florestas primárias tropicais remanescentes no planeta.

O governo da Alemanha comprometeu 500 milhões de euros pelos próximos quatro anos para financiar a conservação da biodiversidade através de uma rede de áreas protegidas. A partir de 2013, o país colocará 500 milhões de euros por ano no fundo para conservar as florestas. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela chanceler alemã Ângela Merkel, durante abertura da sessão ministerial da 9ª Conferência das Nações Unidas da Convenção sobre Biodiversidade (CBD), que se encerra na próxima sexta-feira (31/5), em Bonn, na Alemanha.

"Merkel enviou um sinal forte e muito importante para a conservação da biodiversidade, que é também um vislumbre de esperança para as florestas e os ecossistemas marinhos do mundo", disse Martin Kaiser, chefe da delegação do Greenpeace em Bonn.

"Ao se comprometer com um fundo para financiar o estabelecimento de uma rede de áreas protegidas, a Alemanha mostra que realmente está trabalhando para proteger as florestas, o clima e nossa biodiversidade".

"Esperamos agora que Merkel e o ministro de Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, possam desbloquear as negociações em Bonn para alcançar o objetivo de proteger as florestas e garantir os direitos dos povos indígenas e comunidades locais. Os países ricos devem seguir o exemplo da Alemanha para ampliar este fundo".

O Greenpeace demanda de governos o compromisso financeiro na ordem de 30 bilhões de euros para financiar uma rede global de áreas protegidas florestais e reservas marinhas. Esta é uma das dez principais demandas para esta conferência da CBD.

Na madrugada desta quarta-feira, 50 ativistas do Greenpeace, em 10 botes infláveis, atearam fogo em uma tora de cinco metros no rio Reno, em Bonn, para chamar atenção para a destruição das florestas tropicais de todo o mundo e para o seu papel no agravamento das mudanças climáticas. A tora foi posicionada em uma plataforma no centro do rio Reno, próximo ao local onde a Convenção está sendo realizada. Uma faixa colocada na balsa dizia: "As florestas estão queimando. Salve o Clima", em sete diferentes idiomas. A árvore é um remanescente da espécie angelim vermelho que foi derrubada na Amazônia em 2003.

Segundo o coordenador da Campanha da Amazônia, Paulo Adario, "proteger as florestas é uma das formas mais efetivas e econômicas de reduzir as mudanças climáticas. No entanto, a cada dois segundos uma área de floresta do tamanho de um campo de futebol é destruída. A grande maioria das florestas tropicais remanescentes está nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a Indonésia e o Congo, que, geralmente, não têm recursos financeiros para proteger a biodiversidade. Portanto, é vital que os países ricos se comprometam com um aumento significativo de recursos para estes países, de modo que eles possam implementar uma rede de áreas protegidas e uma efetiva governança. A Convenção de Biodiversidade não pode falhar: o tempo está se esgotando para nossas florestas".

Durante as duas últimas semanas, mais de 5 mil delegados de 191 países estiveram reunidos na Convenção discutindo medidas para aumentar a conservação da biodiversidade do planeta, como a implementação de áreas de proteção marinhas e terrestres e medidas de combate ao desmatamento ilegal. 

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