Syngenta usa área próxima a parque nacional para plantar soja transgênica

Notícia - 14 - mar - 2006
Mais de mil agricultores protestam no local onde o Greenpeace exige ação

Mais de mil agricultores ocuparam um terreno próximo ao Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, usado ilegalmente pela gigante da Biotecnologia Syngenta para plantar soja transgênica. A legislação brasileira não permite plantio de transgênicos a menos de 10km de unidades de conservação. Os manifestantes são da Via Campesina, organização de pequenos agricultores da região.

A multinacional de sementes Syngenta Seeds não possui as licenças ambientais exigidas pelo Ibama para realização de testes com transgênicos em fazenda localizada em Santa Teresa do Oeste, no Oeste do Paraná. O prazo para a empresa apresentar a autorização para a manipulação da soja e de milho transgênicos e as licenças do Ibama para a instalação da empresa terminou nesta quarta-feira à tarde.

Ironicamente, a cultura foi plantada no mesmo estado onde 132 países estão reunidos para discutir medidas de prevenção no transporte de produtos transgênicos, com o objetivo de proteger a biodiversidade dos países membros do Protocolo de Cartagena.

O Greenpeace exige a destruição imediata desses grãos. "Esse é um crime ambiental e ilustra claramente a atitude da indústria de biotecnologia e seu nível de respeito pela biodiversidade", disse Mariana Paoli, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. "Nós esperamos que o governo brasileiro investigue todo o caso para responsabilizar a Syngenta e destruir este campo".

O governador do Paraná, Roberto Requião, se ofereceu ao governo federal para queimar a safra de grãos de soja da Syngenta imediatamente, declarando que deseja manter o Estado livre de transgênicos. A ministra do meio Ambiente, Marina Silva, presente no encontro do Protocolo de Biossegurança, anunciou que o caso seria investigado.

Delegados de 132 países estão reunidos no terceiro encontro do Protocolo Internacional de Biossegurança, fechados em negociações de padrões internacionais para rotulagem de carregamentos geneticamente modificados de alimentos. A rotulagem específica e exata das safras de transgênicos é vital para garantir que não sejam misturados com produtos não-transgênicos e contaminem o meio ambiente. Também está em jogo a avaliação de organismos transgênicos e seu impacto na biodiversidade.