Perdigão se compromete a não usar transgênicos em seus produtos

Notícia - 12 - set - 2002
Greenpeace e consumidores ganham mais uma batalha contra os transgênicos; medidas de controle serão postas em prática até 01 de dezembro.

Em carta encaminhada ao Greenpeace, a Perdigão se comprometeu publicamente a não utilizar qualquer transgênico em produtos processados e na alimentação de animais para corte (1). A decisão foi tomada depois que a empresa reconheceu que seus métodos de controle não eram suficientes e decidiu reavaliar suas regras de segurança, introduzindo novos mecanismos de proteção a fim de evitar a contaminação de organismos geneticamente modificados.

"O compromisso da Perdigão não só respeita a lei brasileira, como garante um alimento seguro para a saúde da população e o meio ambiente (2)", afirma Mariana Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace. "O anúncio feito pela Perdigão é uma ótima notícia para os consumidores brasileiros, que têm participado ativamente desta campanha. Quanto mais informação o consumidor tem sobre o assunto, maior é a rejeição aos alimentos transgênicos", completa Tatiana de Carvalho, assessora da campanha.

Embora o plantio, a comercialização e a importação de transgênicos estejam proibidos no país (3), dada a omissão do governo federal em realizar qualquer tipo de controle e fiscalização no campo, apenas a compra de matéria prima nacional não garante a isenção de transgênicos. Somente as indústrias de alimento que adotam medidas de controle rigorosas podem garantir que não estão comprando e utilizando soja transgênica.

A Perdigão afirmou que os produtos fabricados à partir de 01 de dezembro deste ano, serão produzidos dentro dos novos mecanismos de controle, sem risco de estarem contaminados por transgênicos. "Quando os produtos fabricados antes desta data não estiverem mais disponíveis no mercado, os produtos da Perdigão passarão a constar da lista verde do "Guia do Consumidor - lista de produtos com e sem transgênicos do Greenpeace (4)", explica Tatiana. O Greenpeace continuará testando os produtos da Perdigão para verificar o controle adotado.

"O comprometimento da Perdigão, uma das maiores empresas nacionais do ramo alimentício (5), em não aceitar transgênicos, reafirma a crescente demanda pelo grão não-transgênico no mercado nacional e internacional (6). Outras grandes empresas atuantes no mercado nacional, como a Sadia, a Nissin e a Unilever (7), também já assumiram este compromisso, aumentando ainda mais a pressão em toda a cadeia produtiva", afirma Mariana Paoli,

Notas:

(1) A carta da Perdigão está disponível no site do Greenpeace.

(2)Algumas das possíveis conseqüências dos transgênicos à saúde humana e ao meio ambiente são o empobrecimento da biodiversidade, o aumento da contaminação de solos e corpos d'água devido à intensificação do uso de agrotóxicos e o desenvolvimento de plantas e animais resistentes a antibióticos e agrotóxicos.

(3) O juiz Antônio Prudente, da 6ª Vara da Justiça Federal (DF), deferiu, em 27 de junho de 2000, sentença proibindo a comercialização da soja transgênica da Monsanto sem a realização do EIA/RIMA. A exigência de estudo de impacto ambiental (EIA/RIMA) é garantida pela Constituição Federal e pelas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

(4) Confira o "Guia do Consumidor - Lista de produtos com e sem transgênicos", elaborado pelo Greenpeace com base na declaração das empresas.

(5) A Perdigão domina 25,4% do mercado nacional de produtos processados à base de carne, 31,8% de carnes congeladas, e 36,6% de pratos prontos, segundo o relatório interno do 1o trimestre de 2002, disponível no site da empresa.

(6) Confira a íntegra do relatório "As vantagens dos grãos de soja e de milho não-transgênicos para o mercado brasileiro",lançado pelo Greenpeace no dia 10 de junho de 2002.

(7) Confira as cartas que documentam o compromisso destas empresas em garantir alimentos livres de transgênicos.