Oposição de consumidores e indústrias deve garantir uma Austrália livre de transgênicos

Notícia - 24 - jul - 2003

O governo australiano liberou hoje a comercialização da primeira safra de canola transgênica. Porém a forte oposição pública aos organismos geneticamente modificados (OGMs) no país, por parte dos consumidores e da indústria de alimentos, deve garantir que a agricultura australiana continue livre de transgênicos.

Além disso, nos últimos meses todos os Estados australianos que produzem canola estabeleceram algum tipo de moratória ou medida restritiva ao cultivo da variedade transgênica do produto - o que demonstra uma completa falta de confiança no sistema regulador federal.

Para o Greenpeace, o gabinete de Regulação de Tecnologia Genética da Austrália (OGTR, na sigla em inglês) está aprovando a liberação de uma estrutura genética nova e imprevisível no meio ambiente e na cadeia alimentar sem realizar sequer os testes ou estudos mais básicos. "O padrão de avaliação de risco do OGTR para a canola transgênica é tão pobre que, utilizando esse mesmo padrão, o tabaco seria considerado seguro para o consumo humano", disse o campaigner Jeremy Tager, do Greenpeace Austrália.

"Não há estudos com revisão por pares que assegurem a segurança da canola transgênica para humanos", afirmou. "Como também não os há com relação aos impactos sobre os ecossistemas da Austrália, os insetos australianos, os solos e os organismos do solo". A revisão por pares consiste na análise de determinado estudo ou documento por parte de pessoas que atuam no mesmo ramo daquele que o realizou.

"A avaliação de risco do OGTR presume que a canola transgênica é segura até que seja provado o contrário. Essa presunção é o oposto do princípio da precaução, sobre o qual tais avalições deveriam basear-se", disse Tager.