ONU debate futuro da agricultura e você pode decidir os novos rumos

Notícia - 4 - out - 2007
Relatório que vai recomendar direções futuras para pesquisas agrícolas está em fase de consulta pública. Participe de nossa cyberação por uma agricultura mais sustentável.

A agricultura industrial não é sustentável no longo prazo e não resolve os problemas de subsistência, segurança alimentar e necessidade da população de uma dieta saudável, equilibrada e diversificada.

Governos de todo o mundo se reunirão em Nairóbi, no Quênia, em janeiro de 2008 para discutir o futuro da agricultura e definir metas futuras para pesquisas e ações que melhorem a produção de alimentos. O resultado final da reunião será o Relatório da ONU para a Agricultura e você pode ajudar a interferir no processo.

O rascunho final do relatório está aberto para consulta pública até o próximo dia 22 de outubro e vem sendo bombardeado com os falsos argumentos da indústria de transgênicos e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos de que a engenharia genética e agricultura industrial são os melhores caminhos a serem seguidos.

Temos que contrapor a essa propaganda e mostrar que a agricultura industrial, a engenharia genética e outros mitos tecnológicos não fizeram mais do que falsas promessas e beneficiaram muito pouca gente. E o relatório da ONU é a nossa grande oportunidade.

Apesar de a agricultura industrial oferecer alguns ganhos no curtoprazo, ela não é sustentável no longo prazo e compromete a áreaagrícola da qual depende nossa necessidade por alimentos. Esse modelotambém não resolve as necessidades das comunidades locais porsubsistência, segurança alimentar e uma dieta saudável e diversificada.

É fundamental apresentar uma contraposição a essa propaganda e garantirque o Relatório da ONU sobre Agricultura reflita a realidade, e não osinteresses corporativos.

Segue abaixo a íntegra da carta que será enviada ao comitê que coordena a elaboração do relatório da ONU sobre Agricultura:


Agricultura e natureza: uma parceria pela vida

Gostaria de manifestar meu apoio ao Relatório da ONU sobre Agriculturae à possibilidade de comentar sobre o rascunho atual. Chegou a hora dereconhecer as falsas promessas da agricultura industrial, da engenhariagenética e de outros truques tecnológicos que só beneficiam alguns - eprejudicam muitos.

O modelo agrícola atual - intensivo na utilização de energia eagroquímicos - se parece mais com a mineração do que com o conceitooriginal de agricultura. Ele extrai o maior valor econômico possível decada pedaço de terra, sem considerar os impactos sócio-econômicos eambientais para as gerações futuras. A agricultura industrial é uma dasmaiores contribuições ao aquecimento global, por meio das emissões degases do efeito estufa e da destruição dos estoques naturais de carbono.

Mesmo nos locais onde oferece alguns ganhos, esse modelo agrícola não ésustentável no longo prazo e compromete a área agrícola da qual nossanecessidade por alimentos depende. Esse modelo também não resolve asnecessidades das comunidades locais por subsistência, segurançaalimentar e uma dieta saudável e diversificada.

O futuro da prática agrícola depende de uma agricultura biodiversa quetrabalha com a natureza e com as pessoas - e não contra elas. Dependede uma agricultura que possa se adaptar às mudanças climáticas e aomesmo tempo reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Milhões depropriedades em todos os continentes já estão provando a agriculturaorgânica e ecológica pode fornecer alimentos suficientes, aumentar asegurança alimentar, restabelecer as fontes naturais e melhorar asobrevivência de agricultores e comunidades locais.

Isso vem acontecendo apesar dos investimentos em métodos agrícolassustentáveis serem dramaticamente negligenciados. Em todo o mundo, amaior parte das pesquisas e desenvolvimentos na área de agricultura -tanto privados quando públicos - ainda servem exclusivamente àsnecessidades da agricultura industrial e das indústrias de agroquímicos.

Para explorar totalmente o potencial da agricultura sustentável,precisamos de uma mudança drástica: de agora em diante, a maior partedos recursos - nacionais e internacionais - em pesquisa,desenvolvimento e disseminação de conhecimento na área de agriculturadevem ser investidos em sistemas agrícolas que protejam abiodiversidade, que não poluam a biosfera ou causem a contínua perda derecursos naturais, e que permitam que as comunidades possam sealimentar de maneira nutritiva e consigam subsistir com seu própriotrabalho produtivo.

Por isso, faço um apelo aos governos de todo o mundo e aos órgãos da ONU que estão envolvidos com este relatório para que:

Aumentem o investimento público em pesquisa e desenvolvimentoagrícola e priorizem os enfoques em práticas que protejam abiodiversidade;

Evitem o enfoque da chamada "revolução verde", e trabalhem baseadosno grande valor que o conhecimento local representa, priorizando aexperiência dos pequenos agricultores;


Desconsiderem as variedades transgênicas, uma vez que elas não são asolução para a fome ou a pobreza. As variedades transgênicas vão apenasampliar os erros dos últimos 30 anos relacionados ao modelo agrícolaindustrial;


Enfatizem o princípio do "poluidor pagador" na agricultura. Os custosambientais e sociais dos sistemas agrícolas devem ser internalizados, etodos os subsídios agrícolas prejudiciais devem ser eliminados.


Proíbam explicitamente a liberação de variedades transgênicos nos respectivos centros de diversidade das espécies originais;


Rejeitem firmemente as patentes em plantas, animais ou qualquer outroorganismos vivo ou em seqüências de seus DNAs e evitem a biopirataria ea expropriação do conhecimento local e indígena sob o pretexto de"direitos de propriedade intelectual".