Na Semana do Meio Ambiente, aumenta desmatamento na Amazônia

Notícia - 1 - jun - 2008
Mato Grosso foi novamente o campeão de derrubada da floresta, segundo dados do Inpe referentes ao mês de abril.

Para o governo do MT, isso não é desmatamento. Mas esta área, em Marcelândia, no Mato Grosso, está condenada: vai virar pasto ou plantação.

Na Semana do Meio Ambiente, o Brasil ganhou um baita presente de grego: dados do sistema de Detecção em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta segunda-feira, revelaram que 1.123 quilômetros quadrados da floresta amazônica foram destruídos no mês de abril. Esse total equivale a quase toda a cidade do Rio de Janeiro.

O Mato Grosso foi novamente o campeão de desmatamento, com 794 km2 de área florestal derrubada em abril - 70,7% do total destruído na Amazônia no período. Em março, o Inpe detectou 112,4 km2 de área desmatada ou alterada no estado.

Com o aumento do preço da soja e da carne bovina, a tendência é de que o Mato Grosso seja novamente o campeão do desmatamento da Amazônia no período 2007/2008. O governador do estado, Blairo Maggi, contesta os dados do Deter. 

"Além de ter dado claros sinais em favor da substituição das florestas pelo agronegócio, o governo Maggi não investiu o suficiente nas medidas contra o desmatamento e o governo federal deixou de implementar várias metas previstas no seu próprio plano de ação contra o desmatamento", afirma Marcelo Marquesini, da Campanha Amazônia.

"O pior é que os meses críticos para o desmatamento ainda estão porvir: junho, julho e agosto. E se essa tendência se confirmar, a taxa dedesmatamento voltará a crescer."

Segundo Marquesini, os dados do Deter para o mês de abril confirmam a necessidade do governo federal de continuar a adotar medidas como a restrição de financiamento para quem desrespeita questões fundiárias e critérios ambientais no bioma Amazônia.

Na última quinta-feira (29/5), durante a Convenção de Diversidade Biológica (CDB), em Bonn, na Alemanha, o novo ministro do Meio Ambiente confirmou que, a partir de 1º de julho, nenhuma propriedade com situação fundiária ou ambiental irregular no bioma receberá créditos públicos ou privados.

O Deter é um sistema ágil, que utiliza imagens de satélite de baixa resolução e fornece dados freqüentes sobre a cobertura vegetal da região. Não foi concebido para medir a área desmatada, mas para alertar as autoridades sobre os focos de destruição da floresta. O Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes) é o sistema utilizado pelo Inpe para medir as áreas desmatadas. Ele é muito mais preciso e utiliza imagens de satélites com alta resolução, obtidas nos períodos em que há menos nuvens na região amazônica.

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