Greenpeace leva campanha de consumidores ao Rio de Janeiro

Notícia - 30 - out - 2003

O Greenpeace realizou hoje uma ação em um supermercado do Rio de Janeiro, dando continuidade à campanha "Consumidores em Ação", lançada no Dia Mundial da Alimentação (16/10), em Brasília (DF). Os ativistas da organização pregaram rótulos em produtos que fazem parte da lista vermelha do Guia do Consumidor - lista de produtos com ou sem transgênicos, em que se lia "pode conter transgênicos". Além disso, eles devolveram ao estabelecimento itens suspeitos de terem sido fabricados com matéria-prima geneticamente modificada, justificando que não querem consumir transgênicos. Flávia Londres, da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA) e coordenadora da rede Por um Brasil Livre de Trasngênicos , participou da atividade.

A nova Campanha de Consumidores do Greenpeace tem como objetivo alertar a população sobre os alimentos transgênicos, e motivar o debate e a participação da população na discussão sobre o assunto, levando informações básicas sobre os riscos e danos ambientais dos transgênicos.

"Nosso intuito é dar ferramentas para que qualquer cidadão possa expressar sua indignação pela liberação provisória do plantio de transgênicos no país e dizer que não quer consumir esses produtos" (1), afirmou a assessora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, Gabriela Vuolo. "O Greenpeace espera que consumidores de todo o Brasil participem para que o país continue sendo livre de transgênicos".

A nova campanha, cujo slogan é Transgênicos: não engulo essa!, já passou por Brasília e Porto Alegre, e visitará ainda capitais de outros Estados brasileiros, onde realizará atividades e palestras. Um dos principais instrumentos da campanha é o hotsite Consumidores em ação, no qual o internauta encontra informações básicas sobre o assunto e propostas de atividades que podem realizar para contribuir com a campanha.

"O Estado do Rio de Janeiro já possui uma legislação que proíbe a utilização de transgênicos nas merendas escolares e, também, o plantio comercial no Estado. O Greenpeace espera que os consumidores cariocas se mobilizem para exigir dos órgãos responsáveis a fiscalização efetiva das leis locais e federais que regulamentam a questão dos OGMs no país", disse a assessora.

A terceira edição do Guia do Consumidor, que conta com 27 empresas na lista verde, é a única referência para as pessoas que desejam evitar o consumo de transgênicos. A publicação é composta por duas colunas: na verde estão os produtos de empresas que garantem não utilizar transgênicos, e na coluna vermelha estão os produtos de indústrias de alimentos que não oferecem esta garantia.

"Só em 2003, graças à pressão dos consumidores, 13 indústrias de alimentos, incluindo grandes empresas do setor, como a Nestlé e a Batavo, já se comprometeram a não utilizar organismos geneticamente modificados em seus produtos. Isso mostra que vale a pena continuar pressionando até que todas as indústrias respeitem o consumidor e o meio ambiente", concluiu Gabriela.

O Greenpeace recebeu positivamente o conteúdo principal do projeto de lei sobre biossegurança, anunciado pela Casa Civil no último dia 29. No entanto, vê com preocupação o fato de que não possui referências à necessidade de estudos de impacto ambiental para a liberação comercial de transgênicos.

(1) Segundo uma pesquisa de opinião realizada pelo Ibope em dezembro de 2002, 71% dos brasileiros preferem consumir alimentos livres de transgênicos.

(2) Em 22 de maio de 2003, o Presidente Lula enviou ao Congresso Nacional um projeto de inclusão do Brasil no Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. Esse projeto foi aprovado no último dia 28 pela Câmara dos Deputados e deverá agora seguir para aprovação no Senado. A I Conferência das Partes do Protocolo de Biossegurança será realizada em fevereiro, na Malásia.