Greenpeace e Idec promovem protesto contra os transgênicos

Notícia - 15 - out - 2002
Para marcar o Dia Mundial da Alimentação, o IDEC e o Greenpeace estão apoiando protestos e eventos contra a pressão pela liberação dos transgênicos em todo o país

Lembrando o aniversário de quatro anos da ação judicial que impede a liberação do plantio e a comercialização dos alimentos geneticamente modificados no Brasil, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e o Greenpeace promoveram, hoje pela manhã, um protesto em frente à Abia (Associação Brasileira das Indústrias Alimentícias).

Representantes das entidades preparam também um manifesto contra a liberação dos transgênicos; no entanto, nenhum representante da Abia se disponibilizou a recebê-lo. As entidades protocolaram o manifesto na portaria do prédio. O local foi escolhido porque a Abia apóia a liberação e o uso de transgênicos pelas indústrias de alimentos e manifesta-se contra a rotulagem adequada dos transgênicos, que garanta ao consumidor o direito à informação.

Autoras da ação judicial, única em todo o mundo a proibir a liberação dos transgênicos em âmbito nacional, as ONGs pretendem também alertar a população sobre os riscos que os transgênicos oferecem ao meio ambiente e à saúde humana, além da necessidade de rotulagem, caso haja a liberação dos transgênicos.

"Os transgênicos geram sérios danos ao meio ambiente, como a perda de biodiversidade. Além disso, não existe consenso dentro da comunidade científica de que eles sejam seguros para consumo humano. A indústria deve respeitar o consumidor garantindo alimentos livres de transgênicos", comenta Tatiana de Carvalho, assessora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.

"O Decreto 3.871/01 que limita sobremaneira a rotulagem de transgênicos representa um desrespeito ao cidadão brasileiro e ao Código de Defesa do Consumidor. A Europa, que atualmente aceita a inclusão de 1% de transgênicos em seus alimentos, está modificando esse percentual para 0,5%. O Brasil não pode caminhar na contramão. Além de expor nossos cidadãos aos potenciais riscos dos transgênicos à saúde do consumidor, estaremos nos distanciando ainda mais do mercado europeu, o que é ainda mais incongruente dada a necessidade de aumentarmos as exportações", diz Marilena Lazzarini, coordenadora-executiva do Idec.

Além de protestar e distribuir material informativo alertando a população sobre os riscos desses alimentos para a saúde e para o meio ambiente, o Idec e o Greenpeace encaminharão ao Presidente da República e aos candidatos à Presidência da República, José Serra e Luiz Inácio Lula da Silva, documentos questionando o seu posicionamento com relação ao tema.

Nota:

(1) As outras localidades nas quais ocorrerão atividades de protesto contra os transgênicos são Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Tubarão (SC), Fortaleza (CE), Florianópolis (SC), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO).

PROTESTO EM PORTO ALEGRE

No Dia Mundial da Alimentação, representantes do Greenpeace realizaram um tour por um supermercado da capital gaúcha com demonstrações de produtos que podem conter transgênicos e de produtos cujos fabricantes garantem não conter transgênicos. Durante o tour, foi explicado o que são os alimentos transgênicos e quais são seus impactos no meio ambiente e na saúde humana, dentre outros assuntos. A atividade contou com o apoio e a participação do Movimento das Donas de Casa e da ONG Amigos da Terra.

"Os transgênicos geram sérios danos ao meio ambiente, como a perda de biodiversidade. Ainda não existe consenso dentro da comunidade científica de que eles sejam seguros para consumo humano. A indústria deve respeitar o consumidor garantindo alimentos livres de transgênicos", comenta Tatiana de Carvalho, assessora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.

O Greenpeace - um dos autores da ação judicial, única em todo o mundo, a proibir a liberação dos transgênicos em âmbito nacional - também alerta para a necessidade de rotulagem, caso haja a liberação dos transgênicos.

"No Brasil, já existem grandes indústrias de alimento que declararam que não vão mais aceitar matéria-prima transgênica. Quanto maior for a participação do consumidor nesta campanha, mais opções de produtos sem transgênico ele terá", acrescenta Tatiana.

"Alertamos os consumidores para que, enquanto não houver definição clara sobre os efeitos ambientais e na saúde, não consumam alimentos geneticamente modificados. É inaceitável que estes produtos já estejam ocultos nos supermercados", declarou Ana de Oliveira, representante do Movimento de Donas de Casa.

Káthia Vasconcelos, da ONG Amigos da Terra, considerou a atividade muito positiva: "É fundamental chamar a atenção dos consumidores para os produtos que contém transgênicos", disse ela.