Greenpeace comenta acordo europeu sobre rastreabilidade de transgênicos

Notícia - 12 - dez - 2002
O acordo foi aprovado pelo Conselho Europeu de Meio Ambiente

O Greenpeace recebeu bem o acordo político sobre as novas regras de rastreabilidade de alimentos e rações animais, firmado pelos ministros europeus presentes no Conselho de Meio Ambiente em Bruxelas no início da semana. O novo acordo é mais restritivo, pois agora os alimentos contendo ingredientes transgênicos terão que ser rotulados informando os transgênicos que foram utilizados, detalhando a composição da carga e mencionando todas as variedades de transgênicos presentes.

Os ministros conseguiram que a comissão se comprometesse com um dos itens mais controversos: a informação que deverá acompanhar produtos que consistam de misturas de diferentes tipos de transgênicos (por exemplo, ração animal feita com diversas variedades de milho).

Ao contrário da proposta original de indicar os transgênicos que a mistura "poderia conter", o Conselho decidiu obrigar os produtores a mencionar, no documento de identificação do produto, todos os tipos de transgênicos que efetivamente "foram utilizados". O sistema de rastreabilidade europeu permitirá agora a implementação efetiva das novas regras de rotulagem que obrigam a identificação não apenas de alimentos, mas de rações feitas a partir de transgênicos comercializados na União Européia, monitorando os possíveis efeitos adversos dos transgênicos na saúde humana e animal e no meio ambiente, além de permitir o recall específico de produtos transgênicos caso riscos relacionados a um determinado tipo de transgênicos sejam identificados. O monitoramento e o recolhimento não seriam possíveis se a proposta do "pode conter", apoiada apenas pelo Reino Unido e a Holanda, tivesse sido aceita.

As regras são novas especialmente para o setor de rações animais, que até o momento não passava por qualquer tipo de teste ou controle. "Este acordo favorece ainda mais as exportações brasileiras, pois o país é o único capaz de suprir a crescente demanda por grãos não transgênicos no mercado internacional", declara Mariana Paoli, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace. O acordo ainda será submetido ao Parlamento Europeu, para depois, ser recomendado aos congressos dos países que compõem a União Européia.