França diz não aos transgênicos! E aponta para um futuro mais verde

Notícia - 24 - out - 2007
Presidente Nicolas Sarkozy anunciou a suspensão de plantações geneticamente modificadas no país por tempo indeterminado para garantir a biossegurança dos franceses.

Ativistas do Greenpeace estenderam banners gigantes no Arco do Triunfo, em Paris, exigindo que o governo francês proíba o plantio de transgênicos no país.Greenpeace/Pierre Gleizes

Um dia depois de ativistas do Greenpeace subirem ao Arco do Triunfo em Paris e estenderem um banner gigante exingindo do governo francês o banimento dos transgênicos da França, o presidente Nicolas Sarkozy anunciou nesta quinta-feira que suspenderá o cultivo de organismos geneticamente modificados no país até que seja instalada uma autoridade nacional para determinar a segurança dessa tecnologia.

Sarkozy deu três motivos para sua decisão: há dúvidas sobre a segurança dos transgênicos, sobre sua utilidade e preocupações sobre a falta de controle em relação à contaminação de outras plantações. O presidente francês não deu prazo para o fim da suspensão.

"O Greenpeace está feliz por ver que o governo francês levou em conta os argumentos ambientais e baniu o cultivo de organismos geneticamente modificados. O anúncio do presidente Sarkozy é uma vitória para os consumidores e agricultores franceses, bem como para o meio ambiente do país. O Greenpeace espera que todos os governos sigam a iniciativa da França e protejam seus cidadãos e seu meio ambiente das ameaças dos transgênicos", afirmou Arnaud Apoteker, da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace França.

A suspensão dos transgênicos na França deve ocorrer depois da época de plantio de 2008, mas a FNSEA, principal organização de agricultores do país, pede para que isso ocorra antes da temporada.

A proibição de plantio e colheita de transgênicos na França afetará notadamente o milho MON810, da Monsanto, única variedade geneticamente modificada autorizada para cultivo na Europa. Áustria, Alemanha, Grécia, Hungria e Polônia já aboliram essas plantações e outros países da União Européia estão prestes a seguir o mesmo caminho.

Milhos transgênicos na berlinda

As boas novas não se resumem à França. A Comissão Ambiental da União Européia (UE) está, pela primeira vez em sua história, propondo o banimento de dois tipos de milho transgênico (Bt 11, da Syngenta, e o 1507 da Pioneer/Dow) devido aos riscos que oferecem ao meio ambiente. O milho Bt 11 é uma das variedades geneticamente modificadas aprovadas recentemente pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) no Brasil - a liberação foi suspensa por ordem da Justiça, ver texto abaixo).

O Bt11 e o 1507 foram modificados para produzir uma toxina venenosa para alguns tipos de insetos. No entanto, estudos científicos mostram que esse milho transgênico é tóxico também a algumas espécies de borboletas e pode afetar também outros tipos de insetos, além de ter efeitos nocivos a longo prazo para o solo.

A proposta da Comissão Ambiental da UE está aparentemente baseada em evidências científicas que mostram que o cultivo dessas duas variedades de milho transgênico têm o potencial da causar danos ambientais.

Vários cientistas publicaram recentemente estudos mostrando que os efeitos do milho Bt não são previsíveis e que o risco potencial é maior que o imaginado. Esses estudos demonstraram que os procedimentos atuais da UE não são capazes de avaliar os riscos oferecidos por plantações do milho Bt.

Justiça dá dura na CTNBio

Na sexta-feira passada (dia 19 de outubro), a Justiça Federal do Paraná decidiu que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) não pode liberar nenhuma variedade transgênica de milho no Brasil enquanto não elaborar medidas que garantam a coexistência com variedades orgânicas, convencionais e ecológicas. Isso vale para o milho da Monsanto (MON810), Bayer (Liberty Link) e Syngenta (Bt11). Caso a decisão da juíza Pepita Durski Tramontini Mazini não seja respeitada, a CTNBio está sujeita a multa diária.

Saiba mais:

Congresso de Agroecologia critica CTNBio e pede mais biossegurança no país

Greenpeace adverte: beba Budweiser com preocupação