Convenção da Biodiversidade: pequenos passos, grandes desafios

Notícia - 29 - mai - 2008
Prêmio Motosserra de Ouro é dado ao G8 (menos a Alemanha), pela falta de compromisso financeiro para conservar a biodiversidade.

O prêmio Motosserra de Ouro, do Greenpeace, foi dado aos países do G8, com exceção da Alemanha, pela falta de ação deles na proteção da biodiversidade e implementação de áreas protegidas que permitam o cumprimento das metas para 2010 assinadas pelos presidentes e chefes de estado. A Alemanha ficou de fora por ter anunciado em Bonn a doação de 500 milhões de euros entre 2009 e 2012 para projetos de proteção florestal.

Em seu último dia, a 9ª Conferência das Partes (COP9) da Convenção de Diversidade Biológica (CDB), das Nações Unidas, confirmou a indiferença da comunidade internacional quando se trata de proteger as florestas, o clima global e a conservação da biodiversidade, segundo avaliação do Greenpeace.

A Convenção apresentou progresso na proteção da biodiversidade marinha e na repartição de benefícios e combate à biopirataria, mas fracassou em obter compromisso financeiro das nações industrializadas para viabilizar as metas de proteção da vida fixadas para 2010. Os países do G8 e membros da União Européia, com exceção da Alemanha, não botaram dinheiro na mesa. Em nome dos países ricos do G8, o Japão, que sedia a próxima reunião do grupo em julho, recebeu o prêmio Motosserra de Ouro, concedido pelo Greenpeace.

Saiba mais sobre o prêmio clicando aqui.

Estimamos que sejam necessários 30 bilhões de euros para zerar o desmatamento e estabelecer uma rede global de áreas protegidas a fim de conservar a biodiversidade do planeta.

"Diversas espécies de animais e plantas estão desaparecendo a uma velocidade alarmante, enquanto a CDB caminha a passos de lesma. Se continuar assim, a meta de reduzir de forma significativa a perda de biodiversidade até 2010 nunca será alcançada", diz Martin Kaiser, chefe da delegação do Greenpeace em Bonn.

"A dominância dos interesses comerciais de países como Brasil, Canadá, Japão e China impediram, de forma sistemática, que a conferência alcançasse um resultado melhor."

Segundo Kaiser, a Alemanha deu o exemplo ao anunciar que vai destinar bilhões de euros nos próximos anos para proteger as florestas.

"Agora, a chanceler Ângela Merkel deve usar sua influência para engajar outros países na iniciativa durante a reunião do G-8, em julho, no Japão. O trabalho de Merkel não termina hoje. Nos próximos dois anos e meio, ela precisa priorizar a proteção das florestas na agenda política dos países industrializados", analisa Kaiser.

"Mais uma vez, os interesses de curto prazo de países e empresas impediram que a Convenção sobre a Diversidade Biológica, da ONU, cumprisse sua missão, definida na ECO-92, de proteger a vida na Terra", avalia Paulo Adario, coordenador do Greenpeace na Amazônia, que participou da CDB.

"Espécies estão cada vez mais ameaçadas, nossos rios, lagos, mares e solos ficam cada vez mais pobres e contaminados e o desmatamento das florestas tropicais, principalmente na Amazônia e na Indonésia, ameaça o equilíbrio climático e o futuro de todos nós. Não temos mais tempo a perder. Continuaremos a lutar para proteger o único patrimônio que temos em comum: esse planetinha azul em que vivemos."

O progresso da CDB também foi limitado em outros temas importantes da convenção:

Repartição de Benefícios: os países concordaram em negociar regulamentos contra a biopirataria até 2010. No entanto, Canadá e Japão conseguiram manter em aberto se o mandato será legalmente vinculante ou não.

Áreas Protegidas Marinhas: a conferência concordou em adotar critérios para a identificação de reservas marinhas em alto mar e águas profundas.

Agrocombustíveis: não houve progresso. O Brasil resiste em adotar regras obrigatórias para evitar a destruição de florestas tropicais provocada pela expansão de agrocombustíveis. Os países só concordaram em discutir o desenvolvimento de critérios de sustentabilidade no futuro. Isso permite que a Alemanha e outros países europeus continuem usando agrocombustível produzido de forma insustentável, enquanto florestas da Indonésia são destruídas para o plantio de palma (dendê) e a cana-de-açúcar avança pelo Brasil, ocupando áreas destinadas à produção de alimentos e empurrando gado e soja para a Amazônia.

Desmatamento e Madeira Ilegal: a conferência fracassou em adotar as medidas necessárias para combater o desmatamento. Nenhum acordo foi fechado para proibir o comércio de madeira ilegal ou para criar um processo para lidar com o problema no futuro.

Financiamento: Canadá, Brasil, Japão, China e a União Européia bloquearam, coletivamente, decisões importantes para possibilitar o financiamento da proteção da biodiversidade.

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