Contaminação genética: quem tem que pagar essa conta ambiental?

Notícia - 11 - mai - 2008
Para o Greenpeace, não há dúvidas: as empresas de biotecnologia têm que assumir sua responsabilidade pelos danos causados.

Apesar das muitas dúvidas - e algumas certezas - contra o milho transgênico, a maioria dos ministros do Conselho Nacional de Biossegurança autorizou o plantio e comercialização no país de variedades geneticamente modificadas da Monsanto e Bayer.

Começa nesta segunda-feira, em Bonn, na Alemanha, a 4a. reunião das partes do Protocolo de Cartagena de Biossegurança, dentro da Conferência da ONU sobre Diversidade Biológica (CDB), com a participação de governos de todo o mundo. Entre os principais temas em discussão estão a responsabilidade sobre prejuízos causados por contaminação genética e medidas que possam ser estabelecidas para combater os danos causados pelos transgênicos.

O Greenpeace estará presente ao encontro e luta para que os responsáveis por contaminações genéticas paguem pelos problemas causados ao meio ambiente, agricultores e saúde humana. Na oportunidade será distribuído o relatório Registro de Contaminação Transgênica 2007, lançado em fevereiro pelo Greenpeace e pela ONG britânica GeneWatch UK sobre os casos de contaminações ocorridos em 2007 em 23 países pelo mundo. O relatório destaca ainda queautoridades governamentais têm dificuldades de acessar as informaçõessobre os cultivos transgênicos, tanto comerciais quanto experimentais.

"Asempresas de biotecnologia contaminam indiscriminadamente os suprimentosmundiais de sementes e alimentos, além do meio ambiente, e precisam serresponsabilizadas por isso", afirma Jan van Aken, da campanha deAgricultura do Greenpeace Internacional. "No entanto, essas empresas serecusam a assumir sua responsabilidade, bem como a providenciar àsautoridades governamentais as informações necessárias para se detectaros genes que fogem do controle."

Confira aqui o Sumário Executivo do relatório, em português (arquivo pdf para baixar)

Se quiser conferir a íntegra do documento, em inglês, clicar aqui. 

No Brasil, alguns casos de contaminação já acontecem na região sul do país, em plantações de soja. E com a aprovação do milho transgênico, o número de casos tendem a aumentar. "Como nem a CTNBio, responsável pelas aprovações de transgênicos no Brasil, nem o governo fizeram regras que protejam os agricultores e consumidores, estamos diante de uma situação bem preocupante no país", afirma Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil, que participa da reunião da CDB em Bonn.

Além da responsabilidade e medidas contra prejuízos, representantes dos governos presentes ao encontro na Alemanha negociarão outros assuntos políticos controversos, como o compartilhamento de informações para se detectar o transporte ilegal internacional de transgênicos.

Para facilitar a detectação e a limpeza, e prevenir que organismos geneticamente modificados contaminem os suprimentos de alimentos, o Greenpeace exige que a informação e os materiais de referência para todas as plantas transgênicas existentes no mercado global estejam disponíveis para todas as autoridades regulatórias mundiais.

Leia também:

Confira na seção de entrevistas de nosso site depoimentos de agricultores espanhóis que tiveram suas plantações contaminadas por cultivos transgênicos.

Transgênicos são barrados na Europa e serão reavaliados.

Saiba mais sobre transgênicos lendo o blog Outra Agricultura.