Casal Menkel-Sarkozy em lua-de-mel com a indústria automobilística

Notícia - 9 - abr - 2008
Chanceler alemã e presidente francês negociam acordo que pode enfraquecer lei européia para reduzir emissões de carros.

Bonecos de Nicolas Sarkozy (presidente da França) e Angela Merkel (chanceler da Alemanha) desfilaram pelas ruas de Paris para criticar a forma como os dois países estão conduzindo negociações com a indústria automobilística para reduzir emissões de carbono.

A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy desfilaram sorridentes em Paris nesta quinta-feira num cortejo de carros altamente poluidores. No protesto organizado pelo Greenpeace na capital francesa, os líderes da Alemanha e França foram criticados por negociarem um acordo de bastidor que pode sabotar as tentativas da Europa em reduzir as emissões de CO2 dos carros.

A França e a Alemanha não querem que outros 25 países-membros da União Européia e o Parlamento Europeu participem dessas negociações, talhadas para minimizarem o compromisso das empresas automobilísticas dos dois países com o combate às mudanças climáticas. Para o Greenpeace, qualquer negociação tem que envolver os 27 membros da União Européia.

"Fabricantes europeus de carros estão lutando com unhas e dentes para enfraquecer a primeira lei a reduzir as emissões dos carros e os líderes da França e da Alemanha estão dançando conforme a música tocada por eles", afirmou Franziska Achterberg, da campanha de Transporte do Greenpeace Europa.

O setor de transporte aumentou suas emissões em 26% desde 1990, e as taxas não param de crescer. A União Européia está negociando novos padrões de CO2 para carros, com o objetivo de diminuir as emissões até 2012, já que a indústria fracassou em entregar um compromisso voluntário duradouro.

"Esse acordo (tocado pela França e Alemanha) pode permitir que os fabricantes de carros adiem sua responsabilidade ambiental até 2015 ou mesmo depois. Tem que ser interrompido imediatamente e envolver imediatamente todos os 27 membros da União Européia", afirmou Achterberg.

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