Bunge: cem anos desrespeitando o consumidor e o meio ambiente

Notícia - 28 - set - 2005

"Só quem olha para o futuro chega aos cem anos", diz o slogan que celebra um século da Bunge no Brasil. Mas chegar aos cem anos mentindo para o consumidor e destruindo o meio ambiente é motivo para comemoração?

A multinacional já afirmou que pode estar utilizando soja transgênica nos produtos em que não é possível detectar o DNA geneticamente modificado. Mas não informa isso a seus consumidores. Também adota políticas diferenciadas para o mercado interno e o mercado externo. Na Europa, por exemplo, a Bunge garante fornecimento de soja livre de transgênicos. No entanto, no Brasil, utiliza a soja transgênica em seus produtos Soya, All Day, Mila, Primor e Cyclos, entre outros. Esse duplo padrão da empresa mostra o quanto ela vem desrespeitando os consumidores, em especial os brasileiros.

O desrespeito atinge não só os consumidores, mas também o meio ambiente. A Bunge é uma das responsáveis pelo avanço da fronteira da soja no Brasil. Somente no Mato Grosso possui 54 silos, com capacidade de armazenamento que passa dos 2 milhões de toneladas. O Mato Grosso foi o Estado campeão de desmatamento em 2003/2004, responsável, sozinho, por 48% do total destruído na Amazônia Legal. A empresa também foi alvo de denúncias de ONGs pela adoção de práticas altamente destrutivas no Piauí, retirando madeira nativa para uso nos seus fornos e depois plantando soja na área desmatada.

Neste ano, o Greenpeace se empenhou em divulgar para os consumidores brasileiros, com a campanha ENCHA O SAC DA BUNGE, que a empresa não tem uma política clara sobre os transgênicos e que não controla a origem da soja que entra em suas fábricas destinadas à produção para o mercado nacional. Assim, pode estar usando soja transgênica e descumprindo a legislação nacional para rotulagem de produtos que contenham ingredientes geneticamente modificados.

Durante a campanha, a organização passou por sete cidades, entre elas Belo Horizonte, Salvador, Manaus, Brasília e Rio de Janeiro. Foram distribuídos 6 mil Guias do Consumidor e mais de 4,5 mil pessoas participaram de um abaixo-assinado, deixando seus nomes em pratinhos onde se lia a mensagem "Bunge não use transgênicos". Mais de 6 mil pessoas participaram também do abaixo-assinado virtual realizado no site do Greenpeace, pedindo à Bunge que garanta uma produção livre de transgênicos.

O objetivo da campanha foi estimular o consumidor a questionar a Bunge pela adoção de duplo padrão, com a certificação de produtos não-transgênicos destinados à exportação e a falta de informação sobre a origem da matéria-prima utilizada na fabricação de produtos destinados ao consumidor brasileiro.

O Greenpeace exige que a Bunge respeite o consumidor brasileiro, cumpra a lei e que adote uma política ambiental sustentável para suas atividades, preservando a biodiversidade e os ecossistemas brasileiros.