Às vésperas da Páscoa, chocolates são recolhidos e lacrados em Porto Alegre

Notícia - 13 - mar - 2008
Ação de ativistas do Greenpeace na Semana do Consumidor alerta consumidores para o risco dos produtos da Hershey's e Garoto conterem transgênicos. Empresas não informam a procedência da matéria-prima usada.

As empresas Garoto e Hershey's se recusam a informar ao consumidor se usam ou não matéria-prima transgênica na produção de ovos e barras de chocolate.

Dando continuidade à Semana do Consumidor, cerca de 15 ativistas protestaram na manhã desta sexta-feira em um supermercado de Porto Alegre contra a falta de informação sobre os produtos fabricados pelas empresas Hershey's e Garoto. Com a proximidade da Páscoa, os ativistas recolheram ovos e barras de chocolate de um supermercado, rotularam e lacraram em dois tonéis, identificado com o símbolo do triângulo amarelo com o T no meio. Os tonéis serão encaminhados para a Hershey's e a Garoto na próxima semana.

"É fundamental que as empresas informem o consumidor se estão usando ingredientes transgênicos para fabricar seus produtos", disse Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de engenharia genética do Greenpeace. "O direito à informação está previsto na lei e não pode ser negado aos brasileiros".

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Desde 2004 o Brasil tem uma lei que exige a rotulagem de todo produto alimentício fabricado com 1% ou mais de matéria-prima transgênica. Tanto a Hershey's quanto a Garoto vêm sendo procuradas pelo Greenpeace para que se pronunciem sobre o o uso de organismos geneticamente modificados em sua linha de produção, mas nenhuma resposta foi obtida.

"Nessa Páscoa, o consumidor precisa ficar atento aos chocolates que vai escolher porque algumas marcas podem conter transgênicos. Na dúvida, o ideal é consultar o nosso Guia do Consumidor e entrar em contato com as fabricantes", afirma Gabriela Vuolo, coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace.

O protesto realizado nesta sexta-feira faz parte da série de atividades que

o Greenpeace vem promovendo em diversas cidades do país durante a Semana do Consumidor, para alertar a população brasileira sobre os riscos que os produtos transgênicos representam ao meio ambiente. Além disso, o Greenpeace também está expondo a postura das principais empresas de alimentos do país quanto à informação que disponibilizam à população sobre utilização de transgênicos na fabricação de seus produtos.

Na segunda-feira passada (10/3), ativistas do Greenpeace protestaram na sede da Vigor, em São Paulo, se acorrentando na porta principal da sede da empresa para pressioná-la a informar se usa ou não matéria-prima transgênica. Na terça-feira, voluntários do grupo ambientalista promoveram uma devolução em massa de óleos de soja da Bunge e Cargill rotulados como transgênicos. Quarta-feira a atividade aconteceu no Rio de Janeiro: ativistas foram a um supermercado de Botafogo, na zona sul da cidade, rotular produtos da Bunge e Cargill que ainda não têm o símbolo de transgênico nas embalagens - margarinas, maioneses e molhos para salada -conforme determina a lei.

Guia do Consumidor: o direito à informação e à escolha

Uma das principais ferramentas durante as atividades programadas será o Guia do Consumidor do Greenpeace, que desde 2002 tem ajudado os consumidores brasileiros a se informarem sobre a real composição dos produtos vendidos no país. Mais de 100 empresas de alimentos foram contatadas e questionadas sobre a utilização de ingredientes transgênicos em seus produtos. As empresas que não respondem ou que não fazem controle adequado para evitar a contaminação por matéria-prima geneticamente modificada são listadas no guia impresso.

No site do Greenpeace é possível consultar a lista completa de empresas que já se comprometeram a não usar transgênicos em sua linha de produção. Há também diversas ferramentas disponíveis para consumidores que queiram evitar os transgênicos: receitas, entrevistas e idéias de atitudes cotidianas para consumir responsavelmente.

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