Árvore multimídia faz alerta em Bruxelas contra destruição da floresta

Notícia - 1 - jul - 2008
Comissão Européia decide este mês se adota ou não nova legislação de combate à exploração e o comércio de madeira ilegal.

Ativistas do Greenpeace levam árvore amazônica de 12 metros para a sede da Comissão Européia, em Bruxelas (Bélgica) para expôr o papel da Europa no desmatamento de florestas tropicais e exigir leis que proíbam o comércio de madeira e produtos florestais ilegais no continente. A árvore faz parte de uma instalação do artista plástico Siron Franco.

O Greenpeace expôs nesta quarta-feira em frente à sede da Comissão Européia, em Bruxelas, uma árvore centenária da espécie tauari que recebeu, em seu interior, nove monitores de vídeos com projeções de imagens de beleza e destruição da floresta amazônica. A instalação multimídia, realizada pelo artista brasileiro Siron Franco, destaca o papel da Europa na destruição das florestas e a necessidade urgente de se adotar uma nova lei para combater a exploração e o comércio de madeira ilegal.

O tronco, de 12 metros, foi retirado pelo Greenpeace em outubro de 2007 de uma área ilegalmente desmatada no sul do Amazonas para compor uma exposição itinerante destacando o papel da floresta na manutenção da biodiversidade e do equilíbrio climático do planeta. Ainda neste mês, a Comissão Européia votará se adota ou não uma nova legislação contra madeira ilegal.

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A União Européia importa, todos os anos, milhões de toneladas de madeira da Amazônia, do Sudeste Asiático e do Congo, regiões conhecidas pelo descontrole na produção de madeira que, em última instância, resulta em altas taxas de desmatamento. A perda de cobertura florestal, por sua vez, leva à dramática perda de espécies e conflitos sociais, além de contribuir com um quinto das emissões globais de gases de efeito estufa.

"A Europa é um dos maiores consumidores de madeira do mundo. Se permitimos a entrada de madeira ilegal no nosso mercado, então estamos contribuindo com forças que provocam a destruição da floresta", disse o comissário europeu para o Meio Ambiente, Stavros Dimas, durante visita à instalação.

"Por conta disso, vou apresentarem breve uma proposta para banir a venda de madeira e outros produtos madeireiros provenientes de fontes ilegais", revelou.

Rubens Gomes, presidente do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e presidente do Conselho Diretor do FSC (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal), que participou da atividade do Greenpeace em Bruxelas, ressaltou a importância da Europa em assumir sua responsabilidade para proteger as florestas e promover o uso responsável dos recursos.

"Além de deixar um rastro de destruição ambiental e alimentar conflitos sociais, madeira ilegal e predatória representa uma competição desleal com produtos madeireiros produzidos de forma responsável. É preciso criar mecanismos de controle de mercado para permitir que empresas madeireiras que respeitam padrões ambientais e sociais também possam se beneficiar dos investimentos que fazem", disse ele.

Em menos de três semanas, o presidente da Comunidade Européia recebeu mais de 66 mil abaixo-assinados de apoio à nova legislação, enviadas por cidadãos preocupados em assegurar que os produtos que consomem não resultem em destruição florestal.

"A União Européia deve adotar uma legislação rigorosa para banir o comércio de madeira ilegal se quiser proteger os remanescentes florestais, a biodiversidade e o clima global", diz Marcelo Marquesini, coordenador do programa de madeira do Greenpeace na Amazônia.

"Até os Estados Unidos, um dos maiores poluidores do mundo, já tomaram a iniciativa de aprimorar sua legislação visando combater a importação de madeira ilegal. A União Européia tem a chance de dar um passo além, adotando normas muito mais rígidas, cobrando das empresas madeireiras o respeito a severos padrões ambientais e sociais na produção e comércio de madeira, além de implementar um sistema de rastreamento que garanta a origem da madeira", afirma.

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