Na terra do "pré-sol"

Notícia - 1 - jun - 2012
A bordo do Rainbow Warrior, Pernambuco mostra ao Brasil sua visão de crescimento sustentável com investimentos em TI e Energias Renováveis

Na terra do "pré-Sol", ativistas testam o trailler solar em Olinda (PE). O Nordeste está ensinando ao Brasil que é possível crescer com sustentabilidade. (©Greenpeace/Rodrigo Paiva)

O Brasil só pensa no pré-sal. E foi justamente para ajudar a quebrar essa monotonia que parece tomar conta do país quando o assunto é energia, que o Greenpeace aportou com seu navio, o Rainbow Warrior, na madrugada desta sexta-feira no Recife, uma das principais capitais do Nordeste, a terra do pré-sol e do pré-vento. O potencial da região para a geração eólica, solar e de biomassa permanece subaproveitado, impedindo o desenvolvimento de sua vocação para ter uma atividade econômica de baixo impacto no meio ambiente.

Em evento a bordo do navio Rainbow Warrior, Pernambuco mostrou que tem muito a ensinar ao Brasil sobre crescimento sustentável. Durante duas horas, representantes do Greenpeace, do Cesar, do Porto Digital e do governo pernambucano discutiram como a base de tecnologia digital que fincou raízes no Recife na última década, aliado ao desenvolvimento do potencial para a geração de energias renováveis, pode transformar Pernambuco num centro de atração de empresas de alta tecnologia interessadas em se libertar dos combustíveis fósseis, que contribuem para aquecer a temperatura do planeta.

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O crescimento das empresas de TI implica no aumento da capacidade de datacenters –gigantescos centros de armazenamento de dados, que consomem grande quantidade energia. Para se ter uma ideia, se todos os datacenters fossem considerados um país, seriam o quinto consumidor de energia do mundo. Com mais pessoas acessando a internet, a expectativa é que essa demanda triplique até 2020. É por isso que faz todo o sentido buscar soluções de energias renováveis para estas empresas.

A caminho da conferência Rio+20, o Rainbow Warrior já parou em diversas cidades brasileiras para divulgar as campanhas de Desmatamento Zero e de Energias Renováveis. Em Recife, a ideia é coletar boas ideias para equacionar desenvolvimento e respeito ao meio ambiente. Elas foram o centro das discussões ocorridas no Rainbow Warrior, conduzidas por Sérgio Xavier, secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, Francisco Saboya, diretor-presidente do Porto Digital, Guilherme Cavalcante, diretor do Cesar, e Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace.

“O debate de hoje mostrou que a economia digital está antenada com a necessidade de mudanças nos meios de produção. Para esta nova indústria, os combustíveis fósseis não têm mais espaço”, disse Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace. “Pernambuco e todo o Nordeste foram agraciados com o ‘pré-Sol’ e o ‘pré-vento’ e dão mostras de que saberão aproveitar este potencial renovável para atrair empresas de todo o mundo que buscam soluções mais sustentáveis.”

Entre as propostas apresentadas no debate está o investimento em infraestruturas de comunicação, incentivos fiscais e a instalação de um parque para a produção de energia solar na região de Petrolina, com capacidade para 3 MW.

“O governo do Estado do Pernambuco colocou na pauta um programa de incentivo para a produção e compra de energia renovável”, afirmou Sérgio Xavier. “Estamos saindo de um modelo muito poluente no qual dependemos de grandes obras que trazem grandes impactos para uma forma mais democrática de produção e distribuição de energia.”

Ao final do evento, os participantes publicaram a Carta de Recife, um compromisso para o desenvolvimento sustentável baseado no investimento em Tecnologias da Informação e Energias Renováveis.

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