A última fronteira da terra

Notícia - 24 - ago - 2010
Greenpeace pede o fim de exploração de óleo nos mares do Ártico. O navio Esperanza está na região e denuncia os perigos da perfuração em uma das áreas mais remotas do mundo.

Nos mares do Ártico vive 90% da população de baleias narwal do mundo. ©Jason Box/Greenpeace

Um dos ambientes mais frágeis do planeta corre o risco de se transformar no próximo eldorado do petróleo no mundo. A empresa escocesa Cairn Energy acaba de anunciar oficialmente que encontrou gás e indicadores de petróleo na areia de dois poços que perfura no Estreito de Davis, mais conhecido como o estreito dos icebergs, no sudoeste da Groenlândia. O Esperanza, navio do Greenpeace, está ancorado a dois quilômetros dos poços em sinal de protesto contra a exploração de petróleo no Ártico.  

Os riscos de abrir poços na região são enormes e não há tecnologia hoje que garanta a segurança da perfuração. O óleo em contato com águas quase congeladas leva mais tempo para se dispersar e, em caso de desastre, poderia envenenar um dos mais importantes ambientes marítimos do mundo, lar de espécies de baleias como a azul e a narwal, ursos polares, focas, tubarões e diversas aves migratórias.

A localização remota e o clima, que só permite os trabalhos durante o verão do Ártico, dificultam qualquer medida emergencial. Um vazamento na temporada de perfuração só poderia ser contido no ano seguinte, mantendo o óleo acumulado abaixo de grossas camadas de gelo.  
 
Ainda assim, os planos da Cairn Energy são ambiciosos. Além dos poços atuais, pretende abrir dois novos até o fim de outubro. A empresa não apresentou até o momento um plano de contingência de acidentes adequado e anuncia que tem 14 navios disponíveis para emergências com vazamentos – número sequer comparável aos 6.500 navios usados no desastre do Golfo do México, em abril de 2010, o maior da história dos Estados Unidos.  

De acordo com o centro de pesquisa Americano United States Geological Survey, 30% do gás e 13% do óleo ainda não descobertos no mundo estão no Ártico, 84% deles em alto-mar. Se explorados, podem ser responsáveis por uma emissão de CO2 equivalente a do mundo inteiro em um ano. Permitir que a Cairn Energy comece a perfuração no estreito dos icebergs abre um perigoso precedente para a chegada de outras empresas.

“O mundo precisa ir além do petróleo e promover uma transformação de sua matriz energética, de uma suja e perigosa, para a renovável, como solar e eólica, limpa e segura”, diz Tzeporah Berman, diretora da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Internacional. “Nosso navio está na Groenlândia para pedir o fim da exploração de petróleo nos mares do Ártico e que empresas como a Cairn Energy mudem o foco de seus investimentos, rumo a um futuro de alternativas limpas”, conclui.

O Esperanza é vigiado por um navio dinamarquês que impede a maior aproximação do barco dos poços de exploração. Veja sequência de fotos abaixo: