Passada a festa do anúncio de queda recorde no desmatamento, é o próprio governo quem volta à tona para avisar: nos próximos anos, pelo menos 5,3 mil quilômetros quadrados da floresta amazônica vão para o chão. E com a bênção do poder executivo federal.

A notícia saiu neste domingo, no jornal o Globo. Segundo a reportagem, o governo pretende instalar 61 novas hidrelétricas no Brasil até 2019, de acordo com as metas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Plano Decenal de Energia (PDE). Os maiores projetos vão para a Amazônia, fronteira para onde avança não só o agronegócio, mas também as grandes usinas.

A estimativa das derrubadas, apesar de alta, é conservadora. Na conta, só entram as áreas alagadas e os milhares de quilômetros onde as linhas de transmissão vão cruzar. Nada se fala da onda de migração que sempre acontece no anúncio dessas obras, tampouco se comenta a devastação que vai chegar com os demais projetos do PAC para a região, que preveem a construção de novas rodovias e a pavimentação de antigas.

Os impactos são admitidos pela própria Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ao afirmar que pelo menos 13 projetos vão afetar terras indígenas e outros tantos passarão por cima de unidades de conservação. “O setor elétrico no país é uma das maiores caixas-pretas do governo, nada é discutido e nem as audiências públicas são respeitadas”, criticou o procurador Felício Pontes, do Ministério Público Federal do Pará.

Enquanto isso, a Eletrobrás pinta sua cara de verde, em anúncios como o abaixo.