A China tem fome de energia. Previsões da Agência Internacional de Energia (AIE) são de que a atual líder mundial em crescimento de consumo no mundo cresça em apetite por energia nos próximos anos. Para saciá-la, estão no cardápio o carvão, mas também consistentes investimentos em renováveis.

Em recente relatório, AIE, orgão de aconselhamento sobre o setor para países industrializados, alerta que, até 2035, a demanda chinesa por energia vai crescer em 75%. Isto, considerando que o país já lidera o ranking de uso de energia, à frente dos Estados Unidos desde 2009, apesar do consumo de cada um de seus habitantes ser um terço do de países desenvolvidos.

Em entrevista à Agência France Press, Fatih Birol, economista-chefe da AIE, lembrou que, em um futuro breve, as decisões que o governo chinês tomar com relação aos seus investimento energéticos irão impactar cada cidadão do mundo.

Por enquanto, este cenário é incerto. Hoje, 60% da demanda do setor industrial do país vem do uso de carvão – a fonte mais emissora de CO2, realidade endossada inclusive pelos Estados Unidos, que começa a exportar o produto para a China, de olho no florescente mercado.

Por outro lado, a China caminha a passos largos para assumir outra liderança mundial: a de maior investidor em energia renovável do mundo. O país vem colocando esforços maciços na construção de parques eólicos e solares, revela o estudo da AIE.

Com a proximidade da 16a Conferência de Clima da ONU (COP16), que acontece em Cancun a partir da próxima semana, a atenção mundial estará voltada para o paladar do gigante asiático. Em recente declaração à imprensa, o governo chinês confirmou que manterá o compromisso selado ano passado, na Conferência de Clima de Copenhague (COP15), de reduzir em 40 a 45% suas emissões de CO2 até 2020, comparadas às de 2005.