Deputados do Partido Verde (PV) estiveram reunidos ontem com o embaixador alemão no Brasil, Wilfried Grolig, para falar de energia nuclear. Eles intercederam em favor do cancelamento do financiamento alemão para obras na usina de Angra 3.  

O acordo firmado entre Brasil e Alemanha para os projetos nucleares em Angra data de 1975. Os quesitos de segurança e o tipo de tecnologia para as usinas são da década de 1980. A defasagem levou a Alemanha a recentemente decidir suspender temporariamente a operação das usinas que remontam a este período – pelos padrões internacionais, a tecnologia não preenche as normas de segurança atuais.

Enquanto isto, no Brasil, Angra II, de 1982, funciona sem licença definitiva e Angra III tenta a duras penas sair do canteiro de obras. Passados 20 anos do projeto da usina, o preço do projeto está estimado em mais de 10 bilhões de reais. Destes, quase 2 bilhões já foram investidos.

O PV defendeu em carta à chanceler alemã Ângela Merkel o cancelamento dos repasses, que somam R$ 3 bilhões, até que haja revisão do programa nuclear. A ideia parece ser do agrado do governo alemão, que anunciou suspensão do investimento até que novas averiguações de segurança sejam feitas.

Vai sobrar para o bolso do governo brasileiro, através do BNDES, continuar nesta empreitada cara e perigosa, na contramão dos avanços internacionais. É isto que queremos, Dilma?

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