Enquanto o governo brasileiro continua ignorando os riscos da energia nuclear, na Amazônia os impactos de grandes projetos hidrelétricos também seguem em frente. Após um enrosco trabalhista que fez parar as obras das usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, o projeto de Belo Monte voltou à pauta. Dessa vez, puxada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos. A OEA acaba de solicitar ao governo que suspenda o licenciamento da obra, por ela atropelar os direitos das comunidades locais.

O documento divulgado pela CIDH critica o fato de não ter existido um processo de consulta “prévia, livre, informada, de boa-fé e culturalmente adequada” aos povos tradicionais que serão afetados pela hidrelétrica. A posição da organização é mais uma dentre as inúmeras já colocadas sobre a mesa, vindo de cientistas, organizações ambientais e de direitos humanos e até de órgãos públicos, como o Ministério Público, que já entrou com 10 ações judiciais contra o projeto.

Apesar de tantas e contínuas manifestações, o governo não demonstrou qualquer sinal de que vai parar o projeto. Tampouco de que vai mudar seu modelo energético, que ainda aposta em grandes obras hidrelétricas – principalmente na Amazônia – e fontes de energia sujas como a nuclear, que vai alimentar a usina Angra III. O Brasil está jogando para o alto sua vocação para o uso de fontes renováveis, como o sol e o vento.