O que empresas como Monsanto, Syngenta e Dupont querem tanto ocultar? Detentoras do monopólio de transgênicos, elas, entre outras, vem brincando de esconde-esconde com a comunidade científica americana, dificultando ou até mesmo inviabilizando a pesquisa, seja pública ou privada, com sementes e derivados.

O argumento é de que não vendem simplesmente sementes, sim uma tecnologia. Em nome deste bem supostamente precioso e superior, não só submetem agricultores a um verdadeiro pacto do diabo, que inclui adquirir um produto que lhes custa caro e assinar termos que restringem desde onde podem plantar e vender, até a marca de herbicida que devem usar, como ameaçam a liberdade ao exercício da ciência.

Pesquisas sobre patogenias, resistência de pragas a herbicidas e suscetibilidade de insetos a produtos químicos, por exemplo, não encontram mais quem as queira – ou possa – conduzir, uma vez que são necessárias autorizações das detentoras de patentes e, via de regra, o direito à propriedade intelectual prevalece. 

Até o mais simples dos cenários, como realizar comparações entre dois tipos de sementes em campo tornou-se tarefa impossível. Mesmo quando autorizadas pelas empresas, elas costumam ser caras e enfrentar toda série de burocracias imagináveis.

A situação é pior na área de estudos ambientais, onde os resultados tendem a ser negativos para as marcas. Segundo noticia o site Yale Environment 360, muitos acadêmicos americanos sentem-se “ameaçados pessoal e profissionalmente” por realizarem pesquisas que perigam destampar o secreto ralo do mercado de transgenia. 

Uma das maiores preocupações no momento está no encaminhamento das pesquisas com os herbicidas à base de glifosato. No Brasil ele responde pelo nome de Roundup, propriedade da Monsanto. Antes vendido como um produto milagroso para a agricultura e amigável ao meio ambiente, o Roundup vem intensificando o surgimento de pragas cada vez mais resistentes e pode se tornar responsável pelo aumento significativo de agrotóxicos nas plantações. (Leia mais)