Ambientalistas alemãs resolveram finalmente fazer barulho contra a uma política que garante o fim do programa nuclear no país, mas mantém o financiamento para nuclear fora, no caso, no Brasil. Eles protestaram na manhã de hoje em frente à chancelaria federal alemã, em Berlim, contra a já prometida fiança para a construção da usina de Angra 3.

Os ativistas, das organizações Urgewald e Campact, tentaram entregar um abaixo-assinado ao ministro Philipp Rösler, contrário à garantia Hermes, de quase 3 bilhões de euros, dada a bancos estrangeiros e à empresa Siemens, parceira da Areva, detentora da tecnologia de equipamento para a usina.

No Brasil, o Greenpeace fez o mesmo pedido, em frente à embaixada da Alemanha em Brasília. Face à decisão alemã, reiterada pelo parlamento no final de junho, de dar um fim ao seu programa nuclear por completo até 2022, ceder a garantia de investimento para investimentos em Angra 3 é, no mínimo, uma incoerência.

O protesto acontece no dia em que a BBC escreve matéria revelando que Angra 3 pode demorar 30 anos para ficar pronta e custar proibitivos R$ 9,95 bilhões. E, para completar os tiros no pé, a própria presidente Dilma, em evento ontem, afirmou, sobre o uso de hidroeletricidade em contraponto à térmicas e nuclear:

"Quando você não tem usina hidrelétrica, o que se usa no lugar é energia nuclear ou energia térmica. Isso significa que você está poluindo de uma forma inimaginável a natureza ou colocando em risco a própria vida da sua população", disse Dilma à imprensa.

Protesto do Greenpeace em frente à embaixada da Alemanha. Greenpeace / Felipe Barra