Basta olhar para a capa de qualquer jornal para saber que, após o terremoto e o tsunami, o pior da história ainda ronda o Japão. Com o nível de radiação aumentando em algumas cidades, as consequências começaram a pipocar. A bolsa de valores caiu, os produtos sumiram dos supermercados e a população tenta fugir como pode do ar contaminado que, segundo informações oficiais, não afetam a saúde humana. Ainda.

Enquanto isso, no Brasil, ainda não há sinal de que a construção da usina nuclear Angra III vá parar. Por enquanto, tanto governo quanto empreiteiras sinalizam que preferem arriscar suas fichas numa energia velha, suja e com um potencial negativo que presenciamos hoje no Japão e que já assistimos no caso de Chernobyl e em alguns outros ao redor do mundo.

Esse risco, no entanto, o país não precisa correr. Como mostramos no relatório [R]evolução Energética, nosso país tem, como nenhum outro, vocação para as fontes limpas e renováveis. Sol, vento e biomassa estão aí, de sobra, esperando a boa vontade política para entrarem de vez em nossa matriz energética.

Alguns bons exemplos dessas fontes alternativas já começam a aparecer por território nacional. É o que mostra a reportagem do site O Eco, que visitou o complexo de parques eólicos do município gaúcho de Osório. Funcionando desde 2006, o parque produz energia suficiente para abastecer anualmente o consumo residencial de pelo menos 750 mil pessoas. O equivalente a quase metade da população de Porto Alegre.

Além dos benefícios ambientais – a cada ano, são cerca de 150 mil toneladas de CO2 que deixam de ir para a atmosfera – os econômicos também são sentidos pela prefeitura local. “O empreendimento movimentou toda a economia no período da construção e a arrecadação não reduziu depois. Só ganhamos com os parques eólicos”, garante o prefeito Romildo Bolzan Júnior. Parques eólicos, porém, não são prioridade no país. Já Angra III...

Ação do Greenpeace no Congresso, pedindo pela aprovação da Lei de Renováveis © Greenpeace / Felipe Barra