Apesar do tempo fechado e um dia repleto de reuniões, fomos premiados com uma companhia especial no fim da tarde

  

Após um dia de navegação, deixamos a água mais barrenta para atingir o oceano azul, ainda que sob influência do Rio Amazonas. Com isso, passamos a enfrentar ondas mais fortes que acordaram muitos de nós antes das 6h da manhã. Muita chuva no lado de fora das escotilhas e um balanço no navio que fez todos tomarem remédio para enjoo.

Como teríamos o dia todo de navegação pela frente, aproveitamos para fazer reuniões de alinhamento dos próximos passos. Alguns dos cientistas fizeram o treinamento para usar o submarino. Nele cabem apenas duas pessoas, o piloto e o passageiro, que atua como co-piloto, daí as muitas responsabilidades no mergulho.

Um dos pilotos presentes é John Hocevar, diretor da campanha de Oceanos do Greenpeace Estados Unidos. Ele já pilotou submarinos outras vezes. A primeira foi no Barrien Sea, perto do Alasca, e a segunda no Golfo do México, após o desastre da BP com a plataforma Deep Horizon, em 2011, que derramou petróleo por uma extensão enorme. Naquela ocasião, o submarino foi usado para avaliar o estrago causado pelo óleo em recifes profundos.

A viagem aos Corais da Amazônia é uma jornada bem diferente para ele. “Não sabemos bem como são os organismos ali. É muito animador isso, Tenho a expectativa de que encontremos espécies únicas aqui. E mostrar isso ao Brasil vai ser muito importante”, afirma.

Ele aponta para o fato de sabermos mais sobre a superfície da Lua do que sobre as profundezas do nosso oceano. “Quando falamos de oceanos, as pessoas pensam nas praias ou na superfície do mar. Mas podemos mudar o nosso modo de pensar. Ao ver os Corais da Amazônia, acho que muitas pessoas se questionarão se essa região deve ser perfurada ou não para a retirada do petróleo”, afirma.

O fim do dia nos trouxe um presente: as belas imagens acima proporcionadas por um grupo de golfinhos que nadou por muito tempo ao lado do navio. Segundo um dos cientistas, eles são atraídos pelas ondas que o navio faz, e ficam por perto para brincar entre eles com as marolas.

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Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza