© Will Rose / Greenpeace

Nem no Greenpeace é comum uma pessoa da equipe de web se lançar na frente de um navio em movimento para impedí-lo de explorar petróleo em águas profundas. Por isso é o próprio James, nosso representante de web a bordo do Esperanza, quem nos conta como foi essa emocionante experiência.

“Na semana passada, impedimos por 100 horas que a empresa Chevron continuasse a perigosa exploração de petróleo na região das Ilhas Shetland, Escócia. 

Em resposta, a empresa entrou com pedido legal para que saíssemos do navio – se não, pagaríamos multas extremamente altas. Como não queríamos usar o dinheiro dos colaboradores para ampliar os lucros da Chevron, decidimos voltar para o Esperanza. Mas ainda havia algo a ser feito. 

Na noite de domingo, quando soubemos que o navio da Chevron voltara para sua rota, Ben - o coordenador da campanha a bordo do Esperanza - bateu no meu ombro e perguntou se eu ainda topava participar de uma ação. Rapidamente,  disse que sim. 

Decidi me voluntariar porque passei a semana anterior assistindo a meus colegas escalarem bravamente as correntes do Stena Carron. Não sou escalador, mas nadar eu sei. Finalmente poderia participar de uma ação e, como um 'webbie', fazer algo longe das telas de um computador. 

Eu mal havia digerido os riscos da ação, quando meus colegas explicarem sobre a movimentação das águas próximas à proa do navio e como me afastar do casco caso o navio começasse a andar. 

Naquela noite, não dormi bem. Meu consolo foi ver que Ben estava tão nervoso quanto eu, pensando em como evitar as hélices propulsoras do Stena Carron. 

Logo cedo pela manhã começaram os preparativos para o “mergulho”. O Esperanza seguia o Stena Carron lado a lado. Quando conseguíssemos ultrapassá-lo, teríamos o melhor momento para lançar o pequeno bote na sua frente. 

Na hora certa, fechamos o navio e ouvi o sinal de “Go!Go!Go!” (Vai! Vai! Vai!). A lancha foi jogada ao mar e começamos a prender as bóias e os banners. O navio da Chevron, que estava dez nós mais rápido do que a gente - ou cerca de 18 km/h, mudou de direção. Ufa! Mas isso significava apenas que teríamos que entrar novamente no bote e nos jogar no novo curso do Stena. 

Foi o que fizemos. Dessa vez, ele ia bater em nós. O barulho foi ficando cada vez mais alto até as âncoras, onde estavam pendurados nossos colegas, ficarem exatamente acima de nós e as ondas da proa crescerem. 

Para evitar um acidente, foi preciso que o marinheiro Jono e o engenheiro Manus, que estavam no bote comigo, se jogassem para o lado esquerdo enquanto eu pulava para a direita. Em segundos, já não havia ninguém na frente do navio. 

Foi surreal. Após o agito das águas, o navio passou e tudo ficou quieto. Enquanto eu boiava pacificamente centenas de metros do navio de perfuração, percebi que o barulho dos motores diminuía. O navio havia parado. 

Um dos botes do Greenpeace me pegou e me levou novamente até a frente do navio da Chevron com os outros nadadores. Conseguimos! Quatro ativistas pararam um enorme navio petroleiro.

Sob o potente som das máquinas, a única habilidade envolvida é boiar na água. Foi preciso muito auto-controle e confiança na equipe, mas nossa ação mostra que todos podemos participar de um protesto pacífico.

Mais de 12 horas após meu primeiro mergulho, outros ativistas mantém o navio Stena Carron parado. É hora de dormir um pouco. Voltarei para a água amanhã.”

* James, ativista a bordo de nosso navio Esperanza do Greenpeace.

Veja como foi a troca dos ativistas que estavam na água. Eles carregaram uma câmera no capacete para filmar a ação.