Novas baterias Tesla prometem revolucionar armazenamento de eletricidade em residências e incentivar indivíduos a gerar sua própria energia (©divulgação)

 
A empresa norte-americana Tesla, conhecida por fabricar carros elétricos, lançou uma nova super bateria que promete revolucionar o armazenamento de eletricidade em residências com um custo competitivo. A Tesla Powerwall já pode ser reservada online e nos próximos meses as baterias nos formatos de 7 kWh e 10 kWh já estarão disponíveis nos Estados Unidos por $ 3.000 e $ 3.500 dólares, respectivamente, sendo que o preço deve diminuir ao longo dos anos. Para se ter uma ideia, uma residência de duas pessoas no Brasil consome, em média, 2,5 kWh por dia.

A bateria é alvo de atenção do mundo inteiro já que pode significar o fim do argumento de que combustíveis fósseis como petróleo e carvão são necessários para garantir segurança energética. “Além disso, baterias com grande capacidade de armazenamento dão mais independência para os cidadãos e consumidores gerarem sua própria energia a partir de fontes renováveis e decidirem usá-la quando for mais conveniente”, comenta Larissa Rodrigues, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.

Dessa forma, é possível guardar a eletricidade gerada a partir do Sol para usar à noite, por exemplo. A Tesla Powerwall também pode viabilizar sistemas de eletricidade aos brasileiros que hoje não tem acesso à rede. O uso de baterias em larga escala traz a preocupação sobre descarte e reciclagem de componentes e de acordo com a empresa norte-americana isso já está previsto para suas baterias reduzindo em grande medida possíveis impactos.

“Antes de pensar na utilização em larga escala destas baterias, o Brasil ainda tem muita lição de casa para fazer no sentido de incentivar o uso das energias renováveis”, comenta Rodrigues. Para que o potencial do Sol e dos ventos seja de fato aproveitado e para que os brasileiros possam se tornar mais independentes, é necessário que entraves como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) que incide sobre a geração de eletricidade do cidadão que já escolhe produzir sua própria energia sejam resolvidos. Outras questões, como a criação de linhas de financiamento com baixos juros, também precisam ser resolvidas.

Vale lembrar que somente há três anos foi permitido ao brasileiro gerar sua própria energia e obter descontos em sua conta de luz e, de lá pra cá, quase 400 sistemas de mini ou microgeração foram conectados à rede. O número tem crescido, mas ainda é tímido perto do potencial brasileiro para a geração distribuída, sobretudo com utilização da energia solar fotovoltaica.

*Larissa Rodrigues é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil